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A pior crise é a crise da fome

Novamente no Brasil um assunto retorna à urgência do debate, a fome. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), há atualmente no país 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer , 14 milhões de pessoais a mais que o ano passado.


Esse cenário acomete diversos países, resultado de um conjunto de fatores que envolvem desde a crise provocada pela pandemia de Covid-19, as políticas realizadas nesse período e a guerra na Ucrânia. Todos esse fatores somados à estruturas do capitalismo, promotora de desigualdades e pobreza trazem consequências gravíssimas à população mundial. O gráfico a seguir, apresenta um histórico dos preços dos fertilizantes, alimentos e combustíveis comparado ao crescimento do PIB dos países de renda mais baixa.


Preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes versus crescimento do PIB em países de baixa e média renda, 2000-2022. FAO/FMI/Banco Mundial.

Fonte: Michael Roberts, 2022


Desde 2020, é possível observar o comportamento em sintonia do PIB e dos preços dos insumos, porém em 2021 os preços saltam para muito além do período anterior a pandemia. No Brasil no que se refere à alta dos combustíveis, observa-se impactos diretamente a população, desde o gás de cozinha que acumula 19% de aumento desde o inicio do ano até a gasolina com aumento de 9,97%, cabendo ressaltar que os aumentos refletem a atual política de preço da Petrobras no país, onde o preço interno dos combustíveis acompanha o preço do mercado internacional. A seguir, o histórico do preço dos combustíveis praticados pela Petrobras, destacando o período em que passou a vigorar a atual política de preços.



Fonte: Nexo, 2022


Os combustíveis como qualquer insumos influenciam diretamente o preço de todas as mercadorias, por conta do custo dos transportes. Considerando o período de 2020 até o fim de 2022 é previsto uma inflação acumulada em 40%, é exatamente isso que pressiona o preço dos alimentos e consequentemente aumenta o número de famílias sem ter o que comer. Se por um lado os preços aumentam, por outro há uma queda do rendimento médio dos brasileiros ocupados, restringindo ainda mais o consumo.


Rendimento médio real por trimestre no Brasil.

Fonte: Globo, 2022


Segundo relatório publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em junho, o salário mínimo necessário para sustentar um família de 4 integrantes seria de R$ 6.535,40, ou seja, 5,39 vezes maior que o salário mínimo atual de R$R$ 1.212,00. Ainda segundo o relatório, em média no país uma cesta básica compromete 69,39% do salário mínimo. Os efeitos da pandemia de Covid-19 ainda devem persistir, mas é preciso lidar urgentemente lidar com a questão da fome no país um dos efeitos das transformações pós golpe de 2016, tornando ainda mais frágeis as condições de milhares de pessoas no Brasil.


Guilherme Vasconcelos


Referências:





https://thenextrecession.wordpress.com/2022/06/03/food-famine-and-war/

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