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Bolsonaro na região e as mudanças no Porto do Açu



Desde terça feira quando anunciada a visita do presidente à região surgem as perguntas a que se deve a visita. Não parece uma mera visita por pedido de alguns políticos como se tem veiculado na região, tem muito mais relação com a tentativa da retomada de alguns projetos antigos e dos acontecimentos no Porto do Açu.


Claro que algumas demandas da região podem ser discutidas também, como o Hemocentro e obras da Br-101. Porém, desde a sua campanha presidencial, Bolsonaro fala da ferrovia EF-118, (seus filhos em entrevistas insistem nesse projeto inclusive) que ligaria Nova Iguaçu (RJ) à Cariacica (ES) passando pelo Comperj, Bacia de Campos e Porto do Açu. A ferrovia em questão é de fato um dos chamados Grandes Investimentos previstos para o estado desde os eventos da Copa do Mundo e Olímpiadas, e agora conta com uma parceria com a Vale que teve a concessão renovada no trecho de Minas Gerais ao Espírito Santo, assim a princípio o desejo é de estender esse mesmo trecho até o Porto do Açu, com investimento em torno de R$2,3 bilhões, divididos entre os governos do Rio e federal, e Vale. Abaixo segue foto de como seria o traçado completo da EF-118.


Fonte: Portal Central


Além da EF-118, também é uma prioridade da visita a inauguração das obras da usina termoelétrica GNA II no Porto do Açu, a usina conta com financiamento do BNDES em R$3,9 bilhões, fruto de um joint-venture entre, Prumo, Spic Brasil, Siemens e BP. Essa é a segunda termoelétrica prevista para o Porto, a primeira pertencente ao mesmo grupo foi inaugurada no ano passado e também contou com apoio do BNDES. Cabe destacar aqui a relação do porto a Bacia de Campos, visto que o principal insumo das usinas é gás natural a proximidade com a produção do gás é crucial. Desde a Nova Lei do Gás Natural, o setor passa por mudanças, inclusive a EIG empresa que controla a Prumo Logística se desfez de gasodutos na Bolívia no inicio do ano passado já mirando novos negócios no Brasil. Com isso um outro projeto da mesma joint- venture foi apresentado à região, um gasoduto ligando Cabiúnas, em Macaé, ao Porto do Açu, atravessando o município de Campos.


A visita do presidente, traz à tona a necessidade do debate em torno desses grandes investimentos realizados na região, quem de fato se beneficia com esses empreendimentos? Será que o discurso da geração de empregos é suficiente, visto a quantidade de interferências previstas no território? Lembrando que o Porto surgiu como ferramenta para escoamento da produção de minério e quase um década de operação a dinâmica do capitalismo exigiu mudanças no seu funcionamento. Se por uma lado a lógica da fluidez e as necessidades logística estão inseridas no projeto da EF-188 e no gasoduto, por outro, a operação das termoelétricas insere o porto em uma outra dinâmica.


Então como isso se relaciona às atividades econômicas da região, capazes de criar um futuro sustentável? Pra muito além do Bolsonaro precisamos repensar a nossa região e assim colher os benefícios desses empreendimentos.


Guilherme Vasconcelos


Referências :

https://portocentral.com.br/pb/governo-federal-anuncia-a-construcao-da-ferrovia-vitoria-rio/



https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/imprensa/noticias/conteudo/bndes-aprova-financiamento-de-3-9-bilhoes-para-geracao-de-energia-no-porto-do-acu









https://portocentral.com.br/pb/governo-federal-anuncia-a-construcao-da-ferrovia-vitoria-rio/

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